Língua francesa e oportunidades 14


Como é bom viver em um local onde as oportunidades se multiplicam.

Eu já vinha estudando francês desde antes de chegar ao Canadá. Por alguns motivos, primeiro porque gosto de estudar idiomas; segundo, porque é uma das línguas oficiais do Canadá e fiquei mais motivado ainda quando decidi vir para NB, uma província bilíngue.

Estudei desde o início por conta própria e até hoje não paguei por nenhuma aula. Depois de já ter estudado inglês e espanhol, e ter trabalhado como professor de inglês no Brasil, concluí que já sabia bem o que e como eu tinha que estudar.

Algo que eu aprendi dando aula foi o quanto a atitude do aluno é mais importante que o professor num curso de idiomas. Eu mesmo cursei uns meses de Alemão com uma ótima professora no Berlitz. Me inscrevi porque era grátis para funcionários, fui em todas as aulas mas nunca me dediquei  — obviamente, não aprendi nada. O curso estava lá, o professor estava lá, faltou o aluno.

Agora, se o interesse existe,  não há melhor hora ou método para iniciar, não há o que esperar. Aprender uma língua é questão de imersão e atualmente essa imersão pode ser virtual. Com essa idéia na cabeça decidi começar do jeito que fosse possível e avaliar depois se valeria a pena ou seria necessário o auxílio de um professor.

Desde o início, meus recursos foram:

  1. O ótimo curso de francês no canal “Learn French with Vincent” do youtube. Horas e horas de aulas, e alguns cadernos cheios de anotações.
  2. Testei o Rosetta Stone, usei alguns módulos e abandonei, mas considero um bom curso para começar por conta própria.
  3. Exercícios de gramática retirados da internet.
  4. Leituras em geral na internet, sites de notícias, esportes, até ter condições de ler meu primeiro livro: “Le Magicien d’Oz” (O Mágico de Oz).
  5. Escutar rádios online, de qualquer região, mesmo sem entender nada no início, só para se habituar com os sons.
  6. O maior sacrifício: ver filmes em francês, com legenda em francês, e não entender muito. Infelizmente é um passo necessário, e quanto antes melhor.
  7. Dicionário online Larousse – com definições, exemplos, pronúncia em áudio e a conjugação dos verbos em todos os tempos. 
  8. Dicionário Linguee para traduções. Esse site compara textos traduzidos e as palavras ou expressões são mostradas sempre dentro de um contexto.

A evolução acaba sendo rápida e o processo todo é super gratificante.

Cheguei no Canadá e, antes das oportunidades, veio uma certa decepção com o idioma, porque é muito difícil encontrar pessoas que falam francês puro por aqui. A língua que eles chamam de francês aqui é o chiac, um francês misturado com inglês. E o pessoal que fala chiac geralmente tem um vocabulário pobre e não consegue me ajudar na maioria das dúvidas. A pronúncia local também é irreconhecível pra quem se habituou ao francês da França.

Me dei conta logo que as conversas do dia a dia não iam ajudar no aprendizado da fala, e por mais que a compreensão e a escrita melhorem com o estudo, chega um momento em que é preciso praticar a conversação.

Ainda assim demorei demais pra procurar uma conversação. Só depois de um ano no Canadá é que corri atrás de opções. Minha primeira idéia foi postar um anúncio oferecendo “exchange” na Universidade de Moncton, onde as aulas são todas ministradas em francês e há muitos estudantes internacionais que talvez tenham interesse em aprender inglês, espanhol, ou quem sabe até português (sim, achei alguém interessado depois).

Mas logo que comecei a procurar já encontrei uma colega de trabalho interessada em fazer uma troca de conversação francês-espanhol. Durou uns 3 meses, e quando ela não pôde mais participar, saí pesquisando de novo e encontrei o grupo de conversação da biblioteca pública de Moncton.

A conversação na biblioteca é gratuita e eles se reúnem todas as terças à noite e domingos à tarde. Um facilitador voluntário ajuda na integração e no aprendizado. Atualmente há uma facilitadora do Québec e outra da França, que comparecem em dias alternados.

Acontece que a “Québécoise” também é voluntária de um grupo de conversação no Cafi (Le Centre d’accueil et d’accompagnement francophone des immigrants du Sud-Est du Nouveau-Brunswick), um órgão de auxílio ao imigrantes francófonos, e descobri essa outra opção. Lá a reunião é todas as quintas-feiras no fim da tarde.

Cercles de conversations anglaises et françaises

Na sequência o pessoal que vai na biblioteca aos domingos me convidou para um outro grupo paralelo que se reúne em um café aqui de Moncton. Nesse grupo há um senhor com um nível mais avançado que ajuda a todos.

Nesse meio-tempo começaram as aulas do segundo termo na faculdade e na minha turma entrou uma nova colega marfinense (natural da Costa do Marfim, acabei de pesquisar a palavra pra usar aqui). A Costa do Marfim foi colônia francesa e (a elite educada da população pelo menos) fala um francês bem tradicional. Ela mesma me viu lendo em espanhol em um intervalo de aula e já se interessou em saber a minha língua. Começamos a conversar, descobri que ela tinha feito cursos de espanhol, queria aprender mais e já acertamos uma conversação na NBCC após as aulas. 

E não parou por aí. A senhora do Québec que auxilia o grupo da biblioteca fará uma viagem a Portugal daqui a uns meses e me procurou querendo aprender um pouco de português. Combinamos mais um horário na semana.

Eu sei, são muitas horas pra conseguir acompanhar tudo isso. Mas esse é justamente o ponto. Agora tenho mais chances de praticar do que eu consigo acompanhar. E tudo que eu precisei fazer foi buscar e explorar essas novas oportunidades.

Agora estou acomodando os horários junto com a faculdade e o trabalho e priorizando o que me traz mais benefícios, que são as conversas particulares. Já nos grupos não é necessário participar sempre; vou quando estou com tempo livre. 

Nunca busquei opções para praticar inglês, mas acredito que quem deseje encontrará as mesmas oportunidades, talvez até mais facilmente, pois é a língua predominante, e sei que também há grupos de conversação em inglês.  Nunca usei nenhum serviço do Magma, que é uma instituição similar ao Cafi, mas enviei um email perguntando sobre cursos e eles me responderam informando que o curso de inglês é gratuito para residentes.

Seja matriculado em um curso regular, pago ou gratuito, ou por conta própria, talvez em grupos de conversação, ou mesmo em um “language exchange”, aprender uma língua sempre vai depender de interesse e dedicação. Estando aqui, não deixe de explorar todas as oportunidades que o Canadá tem pra oferecer.

Deixe um comentário

14 Comentários em "Língua francesa e oportunidades"

Notificar
avatar
Livia
Visitante

Gostei muito do post assim como gosto de todos.
Quero usar a oportunidade de Moncton para aprender francês também mas o que me preocupa é o horário. Vou sozinha, estudar de manhã e trabalhar a tarde. Vou ter só os finais de semana pra estudar

Ale
Admin

Olá Livia,
Pode ser mais difícil no começo, pois é bastante coisa pra se adaptar, mas fica a possibilidade de estudar francês pro futuro.
Você vem para qual escola? Pergunto pois a maioria das escolas é turno integral das 8:30 às 15:30. Normalmente os estudantes trabalham a partir das 17hs durante a semana ou aos finais de semana.

Abraço,
Ale

Adriano Brito
Visitante

Oi pessoal, sei que não tem relação com o post, desculpem, mas gostaria de saber se vocês conhecem alguém (brasileiro de preferência) que mora/morou em Newfoundland e estudou no CNA (College of the North Atlantic), não existem muitas informações a respeito dessa província e desse college, pelo menos não no nível do blog de vocês.

Obrigado e abraço! 🙂

Dayana
Visitante

Hola Ale y Daniel, hace tiempo leo el blog pero nunca publique nada y ahora que vi que también hablan español me animé. Yo soy de Uruguay y en Agosto me voy a vivir a Moncton junto con mi esposo, su blog me ayudó muchísimo a decidirme por Moncton y para los tramites con la NBCC y las visas. Muchas gracias por siempre publicar cosas que nos sirven a todos y por la dedicación con la que lo hacen! Les deseo lo mejor en todo lo que emprendan y ojalá algún día podamos conversar. Saludos a los dos

Izabel
Visitante

Olá,
Eu gostaria de saber informações sobre o College Francês: CCNB. Ele fica em cidades bem menores. Eu gostei do curso da cidade de Campbelton. Será que é uma cidade que se consegue emprego e aluguel pra morar? Obrigada

Ale
Admin

Olá Izabel,
Eu não conheço Campbelton.
Mas tem um campus do CCNB aqui pertinho, na cidade de Dieppe. Qual o curso que você está interessada em fazer?

Abraço!
Ale

Marcus
Visitante

Eu também tenho interesse em fazer Le Collège communautaire du Nouveau-Brunswick (CCNB) que fica em Dieppe, ja entrei em contato com o pessoal para saber o valor do curso, minhas duvidas, sabe algo a respeito da cidade de Dieepe? o curso que estou interessado é o Administration des affaires – logistique et transport, ja que trabalho na área no Brasil, andei pesquisando e o pessoal depois do curso encontra emprego em Moncton, sabe algo a respeito de Dieep? grande abraço e uma sugestão,junte tudo do seu Bolg e monte um livro, você escreve muito bem !!!

Ale
Admin

Olá Marcus,
Muito bacana que você está interessado no CCNB.
Quem tem francês aqui acaba tendo mais oportunidades. Não que não seja possível conseguir algo apenas com o inglês, mas o francês abre algumas portas quando a função exige atendimento ao cliente.

Qualquer dúvida é só avisar!

Obrigada,
Ale

wpDiscuz