Viagem: Atacama 2/5


Ir para primeira parte: Atacama 1/5

A viagem.

Sem perder tempo, saindo do trabalho na sexta-feira às cinco da tarde, já começamos a viagem em direção a São Borja. Tentamos cobrir o maior trajeto possível já nessa primeira noite e conseguimos chegar até São Vicente do Sul, a quase 400km de distância de Porto Alegre.

Sem chance de conseguir camping aquela hora da noite, paramos na primeira pousada que apareceu com preço bom.

Cavalo Branco

Na real era uma espelunca e não tiramos foto. Segue uma foto retirada pelo Google vista da rua

No dia seguinte vamos direto até São Borja, cruzando a ponte internacional. Passamos sem problemas pela fronteira e paramos em Santo Tomé, a primeira cidade no caminho para procurar os itens obrigatórios para o carro. Tivemos sorte e encontramos uma loja que tinha tudo.

Daí em diante foi seguir direto até Corrientes/Resistência, onde resolvemos procurar um banco para sacar Pesos Argentinos e perdemos um bom tempo no trânsito da cidade. Algumas paradas rápidas pra comida e ir ao banheiro e rodamos até Presidente Roque Sáenz Penha, fechando 740km no dia. De novo, já tarde e cansados, fomos atrás de uma acomodação. Depois de visitar alguns hotéis baratos em que os quartos cheiravam a cigarro, optamos por algo melhor naquela noite.

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Ponte General Manuel Belgrano entre Corriente e Resistencia

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Acomodação em Presidente Roque Sáenz Penha

Domingo é mais um dia de estrada, faltando ainda cerca de 700km para o nosso primeiro destino. A rota é uma reta interminável, como dá pra ver no GPS, que indica primeira curva à direita em 491km. Essa região é toda muito pobre e parece um pouco abandonada. A já precária infraestrutura parece não receber nenhuma manutenção. Vimos poucos carros na estrada.

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GPS indicando a próxima curva

Paradas curtas, uma delas para fazer o almoço na beira da estrada. E nesse dia fomos até o Dique Cabra Corral, que fica no caminho a Cafayate.

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Almoço na estrada

No final do dia, depois de rodar mais de 700km é que começamos a curtir de verdade o trajeto pois até então havia sido só asfalto, boa parte em péssimo estado, e cidadezinhas estilo faroeste pelo caminho. Passamos a dirigir entre as montanhas, parte da estrada de terra, e uma vista totalmente diferente. Desaceleramos.

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Ruta Provincial 47 entre as montanhas – Província de Salta

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Ruta Provincial 47 entre as montanhas – Província de Salta

"Ruta de Rípio" chegando ao dique

Já tínhamos visto umas fotos do lugar, gostamos e decidimos ver se havia campings, pois o dique forma um lago e uma paisagem muito bonita. Encontramos o camping Punta de Mahr, com possibilidade de acampar à beira do lago e passamos a noite ali.

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Acampamento à beira do lago

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Vista da nossa barraca

Na manhã seguinte acordamos cedo para fazer o trajeto do Dique até a cidade de Cafayate. O trecho, de cerca de 80km pela Ruta Nacional 68, faz parte da Reserva Natural Quebrada de Las Conchas. As montanhas de formação rochosa geram paisagens de tons avermelhados e esculturas curiosas, como a Garganta del Diablo, Obelisco e Anfiteatro. A paisagem, junto com o clima quente e seco já dão a sensação de estarmos no deserto, ou muito próximos.

Cafayate também é uma região produtora de vinhos, a segunda mais importante da Argentina depois de Mendoza e, no caminho, é possível avistar muitas vinícolas. Aproveitamos para fazer algumas visitações e comprar um vinho para alguma das próximas noites.

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Ruta Nacional 68 entre Cabra Corral e Cafayate

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Anfiteatro

Já no fim da tarde, pensando em voltar para o acampamento, descobrimos que é comum faltar gasolina nos postos da região. Conseguimos encontrar um posto com combustível que nos vendeu uma quantidade limitada - suficiente, mas passamos a controlar as idas e vindas e a encher o tanque sempre que possível, para não correr riscos. A gasolina, que na Argentina já foi muito mais barata que no Brasil, hoje é o mesmo preço ou até bem mais cara em locais mais remotos. A cidade de Cafayate é pequena e também tem poucas opções de comércio. Comida só em mercados pequenos e sem muita variedade, mas encontramos o suficiente.

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Retorno ao camping

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Vista noturna da barraca

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Café da manhã antes de seguir viajem

Em mais um dia de viagem seguimos para o norte até San Salvador de Jujuy, na província de Jujuy. No caminho até Salta, a estrada sobe uma serra sinuosa, com asfalto em bom estado, mas com pistas tão estreitas que dão a impressão de que dois carros não conseguem se cruzar. Passamos pelo centro de Salta, a maior cidade da região e aproveitamos para uma parada em um shopping e uma visita ao Carrefour local, para ter mais opções de suprimentos.

Estrada estreita em que dois carros não se cruzam

Encontramos um camping - El Refúgio - na estrada já ao norte da cidade de Jujuy, que nos serviu de base para conhecer a região dali até próximo à fronteira com a Bolívia.  A estadia foi muito boa. A área de barracas é bem arborizada, com gramado e eles também tem uma piscina.

Nossa primeira noite no El Refúgio foi a noite de natal. Um detalhe legal do camping é que eles tinham internet wi-fi na recepção e pudemos ligar pra casa à meia-noite.

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Janta de Natal

Passada a noite de natal, sem querer saber de descanso, partimos cedo para o norte, visitando os vilarejos ao longo do trecho chamado de Quebrada de Humahuaca, um vale considerado patrimônio cultural da humanidade pelas paisagens montanhosas impressionantes e os povoados de origem pré-histórica, onde boa parte da população descende dos habitantes primitivos da região.

Jujuy to Iruya

Mapa San Salvador de Jujuy - Iruya

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Paisagem da "Ruta 9"

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Loja de artesanato na beira da estrada

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Vista do povoado de Humahuaca

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Monumento a los Heroes de la Independencia em Humahuaca

Saindo da estrada principal e seguindo por uma estrada não pavimentada, que pode ou não oferecer condições, dependendo da época, chega-se até a cidade de Iruya. A estrada de "rípio", muito irregular, dá a impressão de que não temos condições de seguir em um carro de passeio.

Paramos logo no início, em frente ao primeiro riacho que cruza a estrada, descemos do carro para dar uma olhada. A vontade de seguir em frente é muita, mas parece que realmente não há condições. Nesse momento avisto uma camionete 4x4 e faço sinal com as mão para pedir ajuda. Converso com um senhor muito prestativo que informa que a estrada até que está boa, e que inclusive havia visto um Nissan Tiida pelo caminho. Era só o que precisávamos para seguir adiante.

O trecho, montanha acima, leva mais de duas horas para ser concluído. A estrada percorre um conjunto de montanhas em que seguem-se trechos de subida e descida em zigue-zague com curvas fechadas e íngremes nas encostas, cortando a montanha para vencer a subida de mais de 3000m de altitude em cerca de 30km, quando se atinge o ponto mais alto do trajeto. Até Iruya são mais 20km de estrada e a altitude cai cerca de 1200m.

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Placa sinalizando 4000m acima do mar no caminho para Iruya

Descida à cidade de Iruya após chegarmos no ponto mais alto
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Cidade de Iruya

Continua... Parte 3

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