Viagem: Atacama 3/5


Ir para primeira parte: Atacama 1/5

Dia de Cruzar a Cordilheira dos Andes.

A estadia no camping estava excelente, mas o tempo mudou e a previsão era de chuva nos dias seguintes. Decidimos sair antes da chuva e partir em direção a San Pedro de Atacama.

Entramos numa Purnamarca já nebulosa, mas seguimos em frente, em direção a Susques e ao Paso de Jama.  Esse seria o ponto alto da viagem. Uma vez li em algum site que a travessia da Cordilheira, por si só, já compensava a viagem e o resto era lucro. Hoje eu concordo e digo o mesmo sobre o outro trajeto possível, pelo Paso Sico, que acabou sendo o nosso caminho de volta. As foto abaixo mostram o porquê.

Argentina_Chile_00219

Purnamarca

No total são 430km, sabíamos que a viagem levaria o dia todo em função da altitude e das paradas pelo caminho. As condições da estrada estavam ótimas, toda asfaltada e com pouquíssimo movimento.

Essa região é chamada de Altiplano ou Puna, uma planície a mais de 4000m de altitude. Chegamos a quase 5000m acima do nível do mar no ponto mais alto, mas durante toda a viagem não sentimos nenhum desconforto.

Subida para cruzar a cordilheira

Subida para cruzar a cordilheira

4170m de altitude

4170m de altitude

Travessia

Travessia

Aos poucos as nuvens foram se dissipando e melhorando a visibilidade. Fomos subindo, até ter a impressão de estar viajando acima das nuvens.

Ainda na Argentina, a cerca de 120km de Purnamarca, a Ruta Nacional 52 passa por dentro do Salar Salinas Grandes. De longe, avista-se uma grande mancha branca no horizonte. Salares são antigos lagos salgados, geralmente de alguns milhões de anos atrás, cujas águas evaporaram deixando apenas imensos depósitos de sal. O Salinas Grandes tem em torno de 200km² de extensão, segundo Wikipedia.

Vista distante do salar

Vista distante do salar

Salar Salinas Grandes

Salar Salinas Grandes

Na fronteira para-se apenas para registrar a saída da Argentina. A entrada no Chile se faz em San Pedro de Atacama.

Já no Chile, paramos duas vezes para socorrer outros viajantes. O primeiro foi um argentino  (vestindo a camisa do Corinthains – quase que eu não paro), que parou porque não tinha água para o radiador. Esse nós conseguimos ajudar, pois sempre levamos, além da nossa água mineral, um galão de 5l de água da torneira para lavar as mãos ou a louça.

O segundo resgate foi de uma família chilena. Eram um casal e duas crianças vindo do Chile e, de novo, o problema era a água do radiador. Só que esse conseguiu perder a tampa do compartimento durante a viagem. O homem comentou que já tinha caminhado 1km tentando encontrar a tampa mas não havia achado nada. Sem telefone, a única solução foi dar uma carona para um deles voltar até San Pedro, que era a cidade mais próxima, e contratar algum serviço.

Foi a primeira vez que aceitamos dar carona para estranhos, pois sempre ficamos com medo. Mas numa região inóspita como aquela não tinha como negar ajuda. Raramente passa um carro e nem todos param.

Já estávamos a cerca de 80km de San Pedro de Atacama e o trecho final é uma descida  até a cidade, que fica a 2400m acima do nível do mar.

Pequeno poado no caminho ao Chile

Pequeno povoado no caminho ao Chile

Sinalização de fronteira entre Argentina e Chile

Sinalização de fronteira entre Argentina e Chile

 A entrada em San Pedro acontece já no fim da tarde. Fomos direto ao posto da Aduana registrar a entrada no chile.

Temos que preencher e assinar uma declaração para os fiscais da agricultura. Eles revistam todos os pacotes de dentro do carro e na parede um cartaz afirma que declarações falsas podem gerar multas. Itens como frutas, laticínios, carnes e comidas frescas em geral não passam. Na fila de espera ainda assistimos abrirem todas as malas de um ônibus.

Jogamos alguns itens no lixo e deixamos algumas coisas que achamos que passaria, para o fiscal decidir na hora, pois "ficamos na dúvida". Retiraram os frutos secos e o mel. Aveia, granola, massa, arroz, molhos, pão e outros produtos industriais passam tranquilamente.

No final, depois de afirmar que não tínhamos mais nenhuma comida no carro, o fiscal ainda abre mais uma caixa e se vira com o braço erguido, segurando um saco de batatas. "Mais nada de comida?". Realmente havíamos esquecido esse, mas fomos liberados em seguida.

Não achamos campings com vaga, então tivemos que procurar um hotel indo de porta em porta. Na primeira noite ficamos no Hostal Lickana, que fica localizado no centro de San Pedro e, por sorte, ainda tinha um quarto livre.

 Continua... Parte 4

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!

Notificar
avatar
wpDiscuz