Viagem: Atacama 5/5


Ir para primeira parte: Atacama 1/5

Iquique

Localizada no extremo norte do Chile, Iquique é famosa pelas praias e pela zona de livre comércio existente dentro da cidade. Geralmente é ponto de parada para quem se dirige a Arica, última cidade antes da fronteira com o Peru. No nosso caso foi um oásis de oxigênio.

A viagem de 500km é em estradas asfaltadas e a maior parte em boas condições. O caminho de ida foi o mais direto, pelo interior desértico e pouco povoado.

Na chegada em Iquique encontramos uma paisagem única, quando a Cordilheira dos Andes encontra as águas do Pacífico. Cruzando pela cidade de Alto Hospício, a uns 10km de Iquique, começa uma descida de 500m de altura em zigue-zague de onde se avista uma duna de areia gigante entre a montanha e o mar. Essa duna é o famoso Cerro Dragón, que nos surpreendeu porque havíamos decidido vir para Iquique sem saber nada sobre a cidade.

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Periferia de Iquique e Cerro Dragón, ao fundo

Procuramos nossa acomodação visitando alguns lugares indicados no GPS e paramos no Beach Hostel na primeira noite. O dia seguinte é de passeios a pé pela orla e áreas históricas, como a Avenida Baquedano, algumas voltas de carro pela cidade e uma visita à zona franca, onde acabamos comprando só cervejas especiais.

Beach Hostel

Beach Hostel

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Centro de Iquique – Av. Baquedano

Na noite seguinte outra pousada, Hostal Arica. Na volta para San Pedro de Atacama, mudamos o trajeto e fomos pela costa até a cidade de Tocopilla, que também nos era desconhecida. Era dia 31 de dezembro e encontramos as ruas decoradas com esculturas construídas para serem queimadas na virada do ano. É uma tradição chamada de “Quema de Monos”, em que se “queimam” objetos, simbolizando a extinção os males do ano anterior e trazendo esperança para o ano novo.

Escultura para queima no ano novo

Escultura para queima no ano novo

De volta a San Pedro de Atacama, para a noite de ano novo, paramos no camping Domos Los Abuelos. A infraestrutura do local é muito boa, banheiros novos, recepção com internet, piscina e churrasqueiras. O problema é a falta de árvores e gramados. No deserto é assim, só se acampa na terra.

No dia seguinte ainda criei coragem de fazer um churrasco ao meio dia, sob céu azul, muito calor e pouco ar. De tarde saímos para mais uma volta pela cidade e uma visita às ruínas da "Pukará de Quitor", um forte indígena construído há mais de 700 anos, sobre o Cerro de Quitor. Tem um centro de visitantes e a entrada custa 3000 pesos (R$12). Não sobrou muito das ruínas, mas para quem aguenta a subida no calor e na altitude, a vista compensa o esforço. No topo da Colina avista-se a cidade de San Pedro e as montanhas e vulcões ao redor.

Churrasco de natal

Churrasco de Ano Novo

Vista nas ruínas da Pukará de Quitor

Vista nas ruínas da Pukará de Quitor

Chega o dia de tomar o caminho de volta para a Argentina. Como havíamos planejado, nos dirigimos ao sul para cruzar  a fronteira pelo Paso Sico. Antes da saída, bem cedo, é preciso parar no posto de imigração da cidade de San Pedro de Atacama e registrar a saída do Chile. Também é importante estar com o tanque de gasolina cheio.

A estrada não é pavimentada e, em relação ao Paso de Jama, veem-se ainda menos carros. A paisagem também é muito diferente. Foram diversas paradas pelo caminho, começando pelas Lagunas Miscanti e Miñiques, que ficam logo na saída da cidade. Ambas ficam dentro de uma área protegida e é cobrado ingresso para visitação. Vale a pena investir um bom tempo no local, pois a vista é inacreditável. Essas duas lagoas ficam próximas à cidade e podem ser visitadas em um dia separado, combinando com outros passeios locais. Assim sobra tempo para fazer a travessia com mais calma, já que a estrada não é boa e isso atrasa bastante a chegada na Argentina.

Estrada próxima das lagunas Miscanti e Miñiques

Estrada próxima das lagunas Miscanti e Miñiques

Seguindo viagem, logo avista-se o Salar de Águas Calientes, que também foi uma surpresa. Um contraste enorme na paisagem, com lagos de águas esverdeadas e montanhas que mais parecem pinturas ao fundo. Esse salar, junto com a Laguna de Tuyato e o Salar de Laco, dominam o cenário por um bom trecho da estrada e também valem paradas para conferir mais de perto ou simplesmente ficar contemplando a vista.

Salar de Águas Calientes

Salar de Águas Calientes

Salar de Laco

Salar de Laco

O trecho no Chile é menor, mas é o mais impressionante em função dos salares e lagos. Na fronteira somente registra-se a entrada na Argentina. A próxima cidade é Cauchari, que na verdade é uma pequena aldeia sem nenhum infraestrutura, mas a partir de lá a estrada passa a ser asfaltada. Seguimos até San Antônio de Los Cobres e Salta no mesmo dia.

O dia seguinte em Salta foi para reparos no carro, que quase nos deixou na mão, e preparar o retorno a Porto Alegre, que foi pelo mesmo caminho da vinda e praticamente sem paradas, não fosse um pequeno imprevisto.

Na cidade de Pampa del Infierno paramos para procurar um caixa eletrônico. Achamos o banco, paramos para sacar o dinheiro e seguir viagem. Como havia entrado na rua ao lado do banco, resolvi dar a volta na quadra e estacionar em frente à agência. Sem perceber, acabei entrando em uma rua de barro e deixei o carro atolar, sem nenhuma chance de conseguir sair dali. Para descer e pedir ajuda na casa em frente, meus pés afundaram no barro até a altura da canela. A saída acabou envolvendo umas 5 pessoas, incluindo dois policiais, que puxaram o carro com uma corda. Infelizmente essa aventura não ficou registrada em fotos nem vídeo.

De Salta até Porto Alegre foram duas noites, uma na Argentina e outra já em São Vicente do Sul, no RS, totalizando dois dias e meio de viagem.

Paso Sico

Paso Sico

 

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