Viagem: Patagônia 1/3


Os Planos: Dezembro de 2013.

Viagem à Patagônia chilena e argentina, passando por El Calafate, El Chaltén, Torres Del Paine e Ushuaia.

Essa viagem já vinha sendo considerada e planejada desde o ano anterior, quando saímos de férias na mesma época e optamos por viajar de carro até o Atacama. Queríamos muito ir de carro novamente, mas com dezoito dias disponíveis e uma distância de 5000km ficaria impossível.

Dia 1

Saindo de Porto Alegre a melhor opção é um voo direto até Buenos Aires, com conexão para El Calafate. O horário do voo era ruim, chegando em Buenos Aires à noite e saindo para El Calafate só na manhã seguinte. Dormimos no aeroporto – há bons espaços para dormir no segundo andar do aeroporto de Ezeiza, então um saco de dormir na bagagem de mão é altamente recomendado.

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Chegada no aeroporto de El Calafate

Nosso plano inicial foi desembarcar em El Calafate e alugar um carro para ser devolvido em Ushuaia. Fizemos a reserva do carro com bastante antecedência pela internet (Hertz), para retirar no aeroporto, mas na semana anterior à viagem nos avisaram por email que a reserva estava cancelada, pois não poderiam disponibilizar carro para devolver em Ushuaia.

Tentamos resolver por email e por telefone, mas não encontramos nenhuma possibilidade e tivemos que procurar por carro ao desembarcar em El Calafate. Havia uma locadora aberta no aeroporto, mas sem carros. Há diversas locadoras no centro da cidade, mas sem reserva não é tão fácil de encontrar veículos disponíveis. Conseguimos alugar um por 8 dias, mas para devolver em El Calafate.

Nossa viagem acabou ficando dividida em duas etapas: do dia 21/12 a 29/12 ficamos com o carro alugado em El Calafate. Acabamos rodando quase até o fim do mundo no Chile (Punta Arenas) e retornando a El Calafate, para ir novo ao fim do mundo (Ushuaia) de ônibus, numa viagem longa e cansativa, realmente sem muitos atrativos. Na chegada, alugamos outro carro no centro de Ushuaia para ser devolvido no aeroporto dia 04/01/14, quando retornamos a Porto Alegre, fazendo conexão novamente em Buenos Aires.

Na mala levamos barraca e outros acessórios de camping, como fogão elétrico e a gás, al;em do nosso kit com pratos, talheres e outros acessórios, pois o plano era acampar em Torres del Paine. Como sempre cozinhamos nossa comida, a cada viagem incrementamos um pouco a nossa cozinha móvel, que nos permite poupar fortunas escapando de restaurantes.

Dia 2

Desembarcamos no pequeno aeroporto de El Calafate no sábado à tarde. Na chegada já se tem uma bela visto do lago Argentino. Não há muita movimentação e parece que só há uma empresa que faz transporte, com serviço de Shuttle até o hotel de cada um. Perdemos um bom tempo nesse trajeto curto, pois a nossa pousada foi a última da rota, mas conhecemos boa parte da cidade.

Alberque Schilling

Albergue Schilling

A cidade é pequena, e é possível andar a pé por todo o centro. Percorremos as avenidas principais procurando as locadoras e encontramos apenas duas que tinham carro disponível, para retirar na manhã seguinte. Aproveitamos o resto do dia para andar pela cidade, caminhar até o Laguna Nimez e fazer o nosso estoque de comida pra viagem.

Ruas de El Calafate

Ruas de El Calafate

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Laguna Nimez

Dia 3

No dia seguinte, de carro, seguimos direto em direção ao Glaciar Perito Moreno, que fica dentro do Parque Nacional de los Glaciares. Saindo da cidade já se avistan o  Lago Argentino e as montanhas. Essa é a paisagem que nos acompanha até o fim da nossa viagem. Até o glaciar são 75km e a entrada não é barata: $200 (cerca de R$90 por pessoa), mas vale a pena. O preço atualizado pode ser conferido no site do Parque Nacional Los Glaciares.

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Perito Moreno visto do carro, na estrada dentro do Parque

Parada no caminho para o Parque Nacional de los Glaciares

Parada no caminho para o Parque Nacional de los Glaciares

Dentro do parque, 6km antes de chegar ao centro de visitantes, paramos para fazer o tour de barco até próximo à geleira. O barco não se aproxima muito, mas chega perto o suficiente para se ter uma ideia da imensidão do glaciar, que tem cerca de 70 metros de altura. O passeio dura cerca de uma hora.

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Glaciar Perito Moreno

Saindo do barco seguimos até o centro de visitantes. Há galerias para caminhada, sempre com uma vista incrível da geleira.  Existe a opção de caminhar sobre o glaciar. Esse é um tour que tem que ser contratado com a Hielo e Aventura, concessionária que administra o parque e também é responsável pelo tour de barco.

Dia 4

Saímos cedo para um dia em El Chaltén, base para quem vai percorrer as trilhas do Parque Nacional. Na entrada de El Chaltén há um centro de visitantes, onde fomos muito bem atendidos e nos apresentaram tudo sobre o parque.  Todas as trilhas são bem sinalizadas e é fácil de percorrer tudo por conta própria. Ao final do dia, havíamos percorrido um total de 28km de trilhas. O clima do dia não ajudou muito, mas mesmo assim a beleza do lugar compensou todo o esforço.

Início da trilha

Início da trilha

Tanto El Calafate como El Chalten são cidades caras, pois basicamente vivem de turismo e recebem pessoas de todas as partes do mundo. Não deixe pra comprar nada de roupa ou equipamentos por lá.

Acampamento dentro do parque

Acampamento dentro do parque

Dia 5

Como um dos principais objetivos da nossa viagem, desde o início, era visitar Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, seguimos com nossos planos, mesmo tendo que retornar a El Calafate para a devolução do carro. Partimos rumo ao sul, para cruzar a fronteira com o Chile na altura da cidade de Puerto Natales, que costuma servir de base para quem visita Torres del Paine.

No caminho, depois de parar em um posto na beira da estrada, um mochileiro francês que vinha viajando a 3  meses pela américa, nos espera junto ao carro para pedir uma carona até o Chile. Aconteceu de aceitarmos dar uma carona para um estranho pela segunda vez na vida (a primeira foi no Atacama). Era um professor que tirou 4 meses de férias e resolveu viajar desde a América Central até a Patagônia, só com a roupa do corpo, mochila, barraca e viajando sempre de carona.

Na fronteira com o Chile, explicamos a ele que não passaria nada de comida fresca, no que ele passa a comer todo o pão, queijo e presunto que tinha comprado para levar ao camping. Novamente os oficiais chilenos, assim com em San Pedro de Atacama, revistaram todo o nosso carro. Já no chile, o francês confessa que passou com uns queijos e pães nos bolsos do casaco.

Parque Nacional Torres del Paine

Parque Nacional Torres del Paine

Chegamos cedo em Puerto Natales, uma cidade com boa infraestrutura. Há todo o tipo de lojas e supermercados. Fizemos todas as nossas compras e já partimos em direção a Torres del Paine, que fica cerca de 70km ao norte. Chegando lá, pagamos mais um bilhete de entrada de aproximadamente R$90, que dá direito a 3 dias dentro do Parque. Os preços podem ser conferidos no site da CONAF.

Paramos em um dos Campings que existem no local, este com banheiros e chuveiro quente. Dentro do parque também há hotéis e outros campings com menos estrutura, como os que se encontram no meio das trilhas, para os que preferem descansar e seguir a caminhada no dia seguinte, podendo ver as torres em diferentes horários.

É importante considerar que faz muito frio na Patagônia, mesmo no verão. É preciso estar bem preparado para acampar. Em Torres de Paine a temperatura a noite foi negativa. Depois disso ainda vimos nevar no Chile, em pleno janeiro.

Nosso acampamento

Nosso acampamento

Dia 6

É bom encher o tanque do carro antes de deixar Puerto Natales, pois o parque é enorme, com muitas estradas para percorrer. Não fizemos isso e resolvemos voltar um pouco, bem cedo na manhã seguinte, para procurar por gasolina. Conseguimos encontrar uma loja no meio do caminho em que o dono tinha galões de gasolina para vender, obviamente cobrando bem mais caro que um posto. Chegamos de volta no acampamento e saímos para a caminhada até as Torres, que duraria o dia todo. O verão na Patagônia tem a vantagem de os dias serem longos, anoitecendo por volta das 11h da noite. Assim sobra tempo para as caminhadas longas.

A trilha para as Torres não é tão longa, mas tem muitas subidas, o que torna difícil e cansativo chegar até o final, mas a Patagônia sempre recompensa o esforço.

Trilha para as torres

Trilha para as torres

As torres

As torres

Na volta tivemos o maior imprevisto da viagem, apesar de não ter atrapalhado em nada, a não ser financeiramente. Encontramos nosso Gol alugado, que estava estacionado próximo ao início da trilha, com o vidro traseiro quebrado de uma forma muito estranha.

Prejuízo no carro alugado

Prejuízo no carro alugado – e nossos primeiros remendos

Como o estacionamento ficava em frente a um dos hotéis do Parque, fomos à recepção, tentar pedir ajuda. Depois de muita conversa, não só o hotel não se responsabilizou, pois disse que na verdade trata-se de uma garagem aberta ao público, como também não ajudaram em nada, a não ser com um rolo de fita para passar no vidro. Tudo isso lá pelas 9 da noite na véspera de Natal.

Sem alternativa, voltamos ao camping para preparar nossa janta. Por sorte conseguimos com um vizinho um rolo maior de fita para tentar segurar o vidro todo estilhaçado, com medo que caísse por completo.

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