Viagem: Patagônia 2/3


Dia 7

Chove sem parar o dia todo. Passamos o dia 25 todo no camping, esperando a chuva passar. O plano era passar mais alguns dias no parque, mas com previsão de mais chuva pela frente, decidimos seguir viagem. Torres del Paine é um lugar maravilhoso, mas há muito mais para ser visto na Patagônia.

Dia 8

Saímos de Torres del Paine e como alternativa decidimos rodar até (quase) o fim do Chile: Punta Arenas, 320km ao sul.

Na saída paramos no primeiro posto policial que encontramos para questionar sobre a situação do nosso carro, com o vidro traseiro todo trincado. Os dois policiais nos atenderam muito bem e explicaram que muitos carros tem os vidros quebrados pelo vento naquela região e não seríamos parados por causa disso.

No meio do caminho descobrimos o parque da Cueva del Milodon, uma caverna imensa que teria sido habitada pelo Milodón, uma espécie de mamífero pré-histórico em extinção. Há mais duas cavernas menores, trilhas e uma vista espetacular das montanhas. A entrada custa 4000 Pesos Chileno (~R$20).

A visita dura a manhã toda e chegamos em Punta Arenas só no fim da tarde, mas ainda com muito tempo para conhecer a cidade e procurar uma pousada com garagem.

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Centro de visitantes – Cueva del Milodón

Cueva del Milodón

Cueva del Milodón

Dia 9

Dia para circular pela cidade. Andamos pela costa, centro, bairros e centros de compras – há uma zona de livre comércio em Punta Arenas. Não perdemos a chance também de conhecer algumas cervejarias locais. A sensação por aqui é de segurança, então deixamos nosso carro estacionado na rua em alguns locais, mesmo com a traseira fechada só com fita.

Nosso carro estacionado no centro

Nosso carro estacionado no centro de Punta Arenas

Cervejaria Austral

Cervejaria Austral

Cerveja Hernando de Magallanes

Cervejaria Hernando de Magallanes – Punta Arenas

De novo encontramos as placas de alerta de Tsunami, que já tínhamos visto em Iquique, no extremo norte do Chile, durante viagem ao Atacama.

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Alerta de Tsunami no centro de Punta Arenas

Dia 10

Viagem de volta até Puerto Natales.

Pegamos o mesmo caminho da vinda, a Ruta 9, também conhecida como “Ruta del Fin del Mundo”. A estrada tem pouco movimento e é mantida em boas condições.

Fomos devagar, com diversas paradas pelo caminho. A paisagem é sempre o maior atrativo em qualquer região da Patagônia. O fato mais inusitado do dia foi a neve que vimos pelo caminho, em pleno janeiro, por um trecho de 100km.  Chegamos em Puerto Natales no final da tarde, novamente com muito tempo de luz do dia sobrando para aproveitar.

Neve na Ruta del Fin del Mundo

Neve na Ruta del Fin del Mundo

Dia 11

Aproveitamos a manhã para conhecer um pouco de Puerto Natales e de tarde tomamos o caminho de volta para El Calafate. Puerto Natales, assim como Punta Arenas, tem seus atrativos turísticos, mas são cidades muito mais interessantes para visitar, pois não estão ali somente para receber turistas, elas tem seus portos, indústrias, sua história – um comércio local com preços normais.

Cruzamos a fronteira na estrada que leva para Rio Turbio na Argentina. Novamente, deve-se registrar a saída do Chile e em seguida parar no controle argentino para registrar a entrada. Entrar na Argentina, em todas as nossas viagens, sempre foi mais tranquilo do que no Chile. Dessa vez só carimbaram nossos papéis no escritório, sem nem olhar para o carro.

Novamente usamos bem o tempo da viagem. Dessa vez a ideia foi chegar tarde em El Calafate, para devolver o carro alugado no último momento, pois de lá pegaríamos o primeiro ônibus para Ushuaia, com saída às 3h da manhã. Devolvemos o carro, acertamos a troca do para-brisa traseiro e voltamos para o mesma pousada em que passamos os primeiros dias. Antes de sair para o Chile já havíamos explicado a situação e pedimos para usar a área da recepção até o horário do ônibus, já que eles ficam abertos 24h e o saguão tem sofás, livros e TV e eles aceitaram sem problemas. Da pousada Schilling até a rodoviária são 5 minutos a pé. Super recomendado.

Viagem de volta para El Calafate

Viagem de volta para El Calafate

Aguardando o horário do ônibus no hotel

Aguardando o horário do ônibus no hotel

Aguardando o horário do ônibus na rodoviária

Aguardando o horário do ônibus na rodoviária

Dia 12

Pegamos nosso ônibus na madrugada, com previsão de chegada em Rio Gallegos às 8h manhã. Essa primeira viagem é confortável, em um ônibus moderno. Chegamos na rodoviária de Rio Gallegos e esperamos mais umas duas horas até a saída do próximo ônibus, que vai direto até Ushuaia.

Esse segundo trecho da viagem leva umas 12h e é bem cansativa. O ônibus é bem mais velho que o primeiro e há várias paradas pelo caminho para cruzar fonteiras e tomar a balsa:

  1. Descida para registrar saída da Argentina
  2. Descida para registrar a entrada no Chile
  3. Descida para embarcar na balsa
  4. Descida para desembarcar da balsa
  5. Descida para registrar a saída do Chile
  6. Descida para registrar entrada na Argentina

O rota para o Ushuaia passa por um trecho dentro do Chile, que aparentemente não tem nenhuma importância para o governo chileno, e as estradas estão em péssimas condições. Essa é mais uma razão, além das diversas paradas, para a viagem ser tão demorada. Possivelmente também é por isso que a empresa de ônibus usa um carro mais velho para fazer esse trecho.

Destaque especial para o motorista falando no celular enquanto dirige

Destaque especial para o motorista falando no celular enquanto dirige

Outros destaques da viagem foram os motoristas: falando no celular, comendo churros, tomando mate, tudo enquanto dirigem. Quando acabou a água, ainda surgiu um fogão à gás portátil, instalado com segurança no assoalho do ônibus trepidante.

Eles oferecem comida e bebida durante a viagem, incluído no valor da passagem. Nós levamos, e recomendamos, o próprio lanche, cerveja e vinho.

Fogão aquecendo a água para o chimarrão enquanto dirige

Fogão aquecendo a água para o chimarrão enquanto dirige

Só no trecho final da viagem é que a paisagem fica mais interessante, quando a estrada passa a costear o Lago Fagnano e passamos a viajar entre as montanhas. Chegamos à noite em Ushuaia. O fim do mundo fica um pouco mais abaixo, mas estamos quase lá. Mais adiante só cruzando o Canal de Beagle em direção à Antártida.

Dia 13

Na manhã seguinte fomos caminhando até o centro novamente para retirar o nosso carro reservado. Essa foi a terceira parte rearranjada da nossa viagem, após o cancelamento da primeira reserva que fizemos.

Ushuaia é um lugar único. É rodeada de montanhas cobertas de neve que podem ser vistas de qualquer lugar da cidade. Uma dessas cadeias de montanhas é o Cerro Martial, que já fomos visitar no mesmo dia. Fora de temporada a pista de esqui e o teleférico estão fechados, mas é possível caminhar montanha a cima até o Glaciar Martial e ter uma linda vista de Ushuaia  e do Canal de Beagle.

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Caminhando por Ushuaia

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Vista da cidade de Ushuaia

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Vista da cidade de Ushuaia

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Vista do Cerro Martial

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