Viagem: Patagônia 3/3


Dia 14

O Parque Nacional Tierra del Fuego, pertinho de Ushuaia, é uma área protegida na fronteira entre a Argentina e o Chile. Só uma pequena parte do parque é aberta para visitação, com trilhas, rios, cascatas, campings, e até uma represa construída por castores. Paga-se um ingresso para entrar no parque (preços atualizados aqui). Entra-se de carro em estradas de terra que levam até os pontos de interesse, mas também há muitas áreas para caminhadas mais curtas. Esse é um parque para passeios mais tranquilos, com trilhas fáceis. Não é um lugar para grandes aventuras. Em mais um dia super frio de verão na Patagônia, é bom ter o refúgio do carro na volta das trilhas.

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Parque Nacional Tierra del Fuego

Ao natureza abundante e a paisagem tomam conta do passeio, mas é o “pão de índio”, uma frutinha laranja pendurada nas árvores que nos chama a atenção enquanto caminhamos. Estão espalhadas e dominam o cenário de várias trilhas do parque. Na verdade não é uma fruta, é um fungo grudado nos galhos das árvores. Dizem que algumas espécies são comestíveis – melhor não arriscar.

Pão de Índio

Pão de Índio

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Parque Nacional Tierra del Fuego

Um dos pontos interessantes do parque é a área chamada de “Castorera” – uma região alagada devido a uma represa construída por castores.

Os castores que hoje vivem na Patagônia vieram do Canadá, e foram introduzidos na década de 40 por criadores interessados em pele de castor. O negócio não foi adiante e muitos castores foram soltos na natureza, se reproduziram e hoje constroem suas represas cortando as árvores e alagando algumas partes da região.

No hemisfério norte, de onde vieram, há predadores naturais, há espécies de árvores que podem viver em áreas inundadas e as que são cortadas brotam novamente. Na Terra do Fogo, não há predadores e as espécies nativas acabam morrendo. Na “Isla Grande de Tierra del Fuego”, onde foram introduzidos, já superam a quantidade de pessoas. Agora estão se espalhando pelo continenente e devem chegar até Bariloche, causando um grave problema ecológico.

Dirigindo pela Patagônia é possível avistamos várias zonas alagadas como essa da foto, mas só no final descobrimos do que se tratava.

Castoreras

Castoreras

De noite ainda sobra tempo de andar pela cidade e parar na beira do Canal para ver  Ushuaia de frente. Muitas cidades que visitamos só por dentro, são lindas no cartão postal, quando vistas de um helicóptero ou de uma montanha, mas ao vivo não deixam a mesma impressão. A Ushuaia do cartão postal está ali para ser vista ao vivo, da estrada, do avião, ou no final de uma caminhada pela Baía Encerrada.

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Ushuaia – quase meia-noite

Dia 15

Um dia chuvoso. Nosso tour de barco foi adiado para o dia seguinte, contando com a previsão de melhora do tempo. Foi o dia de andar pelas ruas, pelo centro, entrar em lojinhas e procurar umas cervejas diferentes. A avenida central, San Martin, é um festival de lojas de equipamentos, roupas, souvenirs e supostos free-shops, mas nada de barato – normal para uma avenida amontoada de turistas de todas as partes do mundo.

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Ushuaia – na manhã seguinte

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Ushuaia – centro

Em frente ao porto fica claro o sentimento que os os argentinos ainda tem com relação às Ilhas Malvinas, que foram perdidas para a Inglaterra na guerra de 1982. Viajando pelas estradas é comum ver placas com os dizeres: Las Malvinas son argentinas.

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Porto de Ushuaia

Dia 16

No centro de Ushuaia, próximo à costa, há varias agências de turismo vendendo bilhetes para seus passeios de barco até a Ilha dos Lobos e Ilha dos Pássaros. É só dar uma caminhada e escolher entre diversas opções. As melhores são com os barcos menores, menos gente e podendo se aproximar mais das ilhas, obviamente mais caro. Acabamos ficando com um barco intermediário, mas também excelente. Em alta temporada os ingressos para esses barcos não duram muito tempo.

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Porto de Ushuaia – saída para Ilha dos Lobos

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Ilha dos Lobos

O tour leva cerca de uma hora, e vale a pena não só pelas ilhas, pelos lobos marinhos e cormoranes que vimos de perto, mas também pelo cenário de montanhas e a vista da cidade.

Chegando no fim da nossa viagem, saímos ainda em busca de mais alguns lugares. Percorremos 50 km ao norte, pela Ruta 3, entre as montanhas, numa parte do trecho que o onibus fez na chegada para rever alguns locais, entre eles a Laguna Escondida.

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Lago Escondido

Dia 17

Chegamos no aeroporto procurando a locadora Dollar, para devolução do carro. Não há loja no aeroporto e ficamos um bom tempo circulando sem saber o que fazer com o carro, até que um funcionário da locadora nos aborda para receber o veículo no estacionamento.

O aeroporto de Ushauaia é pequeno e parece não suportar o movimento da alta temporada. Depois do check in, enfrentamos uma fila que começava no térreo e subia pelas escadarias até a entrada para a sala de embarque. Só na entrada do embarque é que nos avisam que há uma taxa do aeroporto para ser paga, em dinheiro, antes de passar ao embarque. Aeroporto é sempre complicado, agora além de chegar cedo, vamos cuidar para sempre ter algum dinheiro local na carteira.

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Aeroporto de Ushuaia

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