Nosso intercâmbio na Irlanda


Vamos começar a contar aqui como foi o nosso intercâmbio na Irlanda, que começou em março de 2009 e terminou em janeiro de 2011. Foi uma experiência de intercâmbio tão completa e uma época tão importante que merece ser relatada aqui em detalhes: a adaptação, o lado bom, o lado ruim, as viagens pela Europa, as dificuldade com o idioma, a qualidade de vida, o clima, e tudo que possa servir de referência para quem pensa em partir na sua aventura pelo mundo.

As memórias ainda seguem vivas como se fossem de uns meses atrás. Contamos com todas as fotos, a papelada de recordação da época, um diário e muitas histórias escritas que nunca haviam sido publicadas. Era um projeto antigo, mas que foi sempre adiado e acabou sendo colocado em prática só a partir de 2014, quando saímos para a nossa segunda experiência na Irlanda, e criamos o Black Flamingoes para relatar a vida por lá.

Ja contamos aqui como começou a nossa história de viajantes em 2006 e que nos levou a mais aventuras internacionais até que resolvemos encarar um intercâmbio com trabalho no exterior por diversas razões que nós sabemos que atraem um monte de gente por aí: aprender inglês, tirar umas férias do Brasil, umas férias do trabalho e da faculdade e tentar conhecer um monte de lugares diferentes ou quem sabe juntar uma grana no exterior.

Pra sair do Brasil na época, as opções reais eram Irlanda, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, enfim, todos os ricos “english-speaking countries” com carência de mão de obra. São basicamente os mesmos até hoje, com exceção do Canadá, que já não dá mais visto de trabalho para estudantes de inglês, somente para quem faz curso de graduação em turno integral.

Apesar da crise econômica que o país vivia, por questões de custo, facilidade de entrada no país e por oferecer um visto de trabalho de turno integral, e pelo fato de ter a chance de viajar em vôos baratos e de trem pela Europa, depois de muita e muita e muita pesquisa, escolhemos a Irlanda.

Antrim

Antrim

Donegal

Donegal

A Irlanda era o único país que não exigia, e ainda não exige, a solicitação de visto ainda no Brasil para estudantes. Entra-se como turista e deve-se comparecer ao escritório de imigração em até 30 dias para oficializar o visto de um ano como estudante. A Inglaterra exigiria uma viagem extra a São Paulo só para tirar o visto.

Compramos o pacote de curso de inglês e uma semana de acomodação em casa de família por uma semana com a extinta agência Sem Destino em Porto Alegre. As passagens compramos por conta própria separadamente.

Entre algumas opções de escolas, ficamos com uma das mais baratas, a Grafton College, dentro da nosso orçamento, mesmo sabendo que entraríamos em uma turma cheia de brasileiros, o que pra quem quer aprender inglês não é exatamente o melhor ambiente.

Casinhas em bairro próximo ao centro de Dublin

Casinhas em bairro próximo ao centro de Dublin

River Liffey

River Liffey

Tomamos a decisão final e compramos a passagem e o curso com 3 meses de antecedência. Já era meio em cima da hora, o melhor é se preparar antes. Esses 3 meses foram de muita correria e ansiedade. É muita coisa pra resolver.

Da papelada tem o seguro de viagem, as passagens, passaportes, extratos bancários, como levar o dinheiro, as procurações para que alguém de confiança possa resolver algum assunto importante no Brasil, cartões de crédito internacionais, mudar o endereço de correspondência, vender o carro, decidir o que fazer com o nosso apartamento (que ficou fechado por dois anos), decidir o que levar na mala e o que deixar pra comprar por lá, pensar nos currículos pra busca de emprego, pesquisar como encontrar lugar pra morar, pesquisar sobre onde comprar as coisas, como tirar carteirinha de estudante pro desconto no ônibus, como se deslocar pela cidade, como sair do aeroporto, as cartas da escola e da acomodação da primeira semana.

Entre todos os custos do intercâmbio, com visto, passagem, seguro de saúde e escola de inglês, mais o dinheiro necessário para viver por lá até conseguir um emprego, o investimento é alto. É preciso muito planejamento financeiro (na maioria dos casos, como foi o nosso).

Depois vem o peso de largar emprego, trancar faculdade, começar a gastar em Euros e, por fim, deixar a família e os amigos pra trás.

Tivemos medo, insegurança, preocupação, muita tristeza na hora de pegar o avião, mas o fundamental foi que nunca tivemos qualquer dúvida de que estávamos fazendo o que era melhor para nós. Do contrário, provavelmente ainda estaríamos postergando os planos, pois aquele momento super ideal nunca vai existir.

Fomos. O intercâmbio que seria de ano foi renovado, ficamos dois, estudamos, trabalhamos, viajamos pela Europa, e no final não queríamos nem voltar.

Acabamos voltando, já acostumados com outra realidade, pra nós muito melhor, e a readaptação ao Brasil foi muito mais difícil do que havia sido a chegada na Irlanda.

Esse sentimento permaneceu até 2014, quando decidimos emigrar em definitivo e decidimos apostar novamente, de forma mais  arriscada, na Irlanda.

Não conseguimos o visto permanente e o nosso plano de imigração para o Canadá começou a ser executado e relatado passo a passo aqui no site.

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!

Notificar
avatar
wpDiscuz