Viagem: The Burren


Saímos de carro em direção ao Condado de Clare, na costa oeste do país e famoso pelos “Clifs of Moher”, que visitamos em 2010. Dessa vez  o objetivo foi de visitar outro monumento natural, o Burren, e talvez passar um dia em uma das “Aran Islands”, um conjunto de ilhas próximo à costa da Irlanda. Esse último é um passeio de barco e envolve ficar 6 horas à pé ou de bicicleta alugada na ilha, então era preciso tempo bom.  Como de costume, todo o fim de semana seria de chuva segundo a previsão, mas mesmo assim resolvemos arriscar e mantivemos os planos, até porque não adianta muito ficar esperando pelo sol na Irlanda.

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The Burren

Enquanto a previsão não mudava, partimos para o Burren e arredores. Saindo de Limerick, primeiro viajamos um pouco na direção contrária, para passar pela pequena vila de Adare. Essa é famosa pela sua avenida central cheia de “cottage houses”, que são aquelas cabanas com telhado de palha, típicas da Irlanda. Originalmente casas simples de trabalhadores do campo, hoje são cobiçadas no meio turístico.

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Parque de Adare

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Avenida principal de Adare

Chegamos cedo na sexta de manhã, ainda muito frio e chuviscando. O comércio estava começando a abrir e a cidade estava quase deserta. Caminhamos no frio pelo parque da cidade, um dos mais bonitos que vi na Irlanda. Depois tiramos uma foto igual a dos cartões postais e guias de viagem.

Foto igual a dos cartões postais

Foto igual a dos cartões postais

A passagem por Adare foi curta e logo pegamos a estrada novamente em direção ao “The Burren National Park”.

Segundo o site do Parque Nacional, a palavra Burren tem origem no idioma irlandês e significa local rochoso. São aproximadamente 250km² de solo calcário, ou “limestone”,  sendo a maioria da área protegida. Já o parque é formado por terras adquiridas pelo governo e possui somente 15km².

Desisti de explicar o Burren aqui, pois envolve falar de era glacial e um processo de dissolução química de rochas, também conhecido como carstificação. O importante é que solo rochoso, moldado a milhões de anos atrás, é todo recortado por fendas e rachaduras que são preenchidas por vegetação e, ao contrário do que se imagina, o local nada tem de árido (árido na Irlanda é impossível), possuindo  flora e fauna riquíssimas. A ação humana também ajudou a definir o que hoje é o Burren. A agricultura e desmatamento do local, há milhares de anos, contribuiu para que a camada de terra existente sobre as pedra fosse “varrida” entre as fissuras.

Em épocas de guerra, no passado, foi dito sobre o Burren: “É uma região onde não há água suficiente para afogar um homem, madeira suficiente para enforcá-lo, ou terra suficiente para enterrá-lo. E ainda assim o gado é gordo, porque a grama que nasce em porções de terra de meio metro quadrado entre as rochas, que são de calcário, é muito doce e nutritiva.”

Dentro do parque encontramos o local de início das trilhas para caminhada. O mapa oficial das trilhas não deixa muito clara a localização, mas encontramos o acesso ao parque, com estacionamento, no local indicado nesse link, fazendo a rota a partir da cidade de Corofin.

Entre as 5 opções de trilhas, escolhemos a mais curta, a trilha laranja, já prevendo a chuva que viria em seguida. Essa trilha não tem dificuldade nenhuma, mas serviu pra termos uma noção do que é o Burren e planejarmos o dia seguinte. E a previsão acertou em cheio, retornamos ao carro poucos minutos antes do início de uma tempestade. A ideia era almoçar no parque, mas comemos dentro do carro, vendo a chuva.

Sinalização do início das trilhas de Burren

Sinalização do início das trilhas de Burren

De tarde, seguimos viagem dando a volta pelo parque e retornando pelo caminho junto a costa, curtindo outras paisagens da região. Com o tempo instável, entre sol e chuva, passamos pela cidade de Lindoosvarna, para conhecer um pub com cerveja artesanal, o “Roadside Tavern”. Tanto o local quanto a cerveja foram meio decepcionantes.

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Roadside Tavern, em Lisdoonvarna

Antes de ir para o hotel, ainda passamos em Doolin, para ver o local de saída dos barcos para as ilhas Aran, pois ainda tínhamos esperança de visitá-las no dia seguinte. Mas encontramos o porto deserto e as agências fechadas. Com um vento fortíssimo e o mar agitado, não acredito que barcos pequenos estariam saindo dali. Acabamos dormindo na cidade de Miltown Malbay, ali pertinho, para talvez retornar no dia seguinte.

A escolha de Milltown Malbay para passar a noite foi péssima. A acomodação, o Central Hostel,  foi uma das piores em que já ficamos em todos os aspectos. Para piorar, a internet do hotel não estava funcionando e a da operadora de celular também não. Sem chance de planejar o dia seguinte.

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Mar em Doolin

Saímos mais cedo na manhã seguinte e, assim que o sinal 3G apareceu, conferimos a previsão: mais um dia com chuva à tarde. Então nosso destino foi o Burren novamente, dessa vez para chegar a tempo de fazer a trilha mais longa, a azul, subindo um caminho circular ao redor de uma montanha de pedras, com vista de praticamente todo o parque no ponto mais alto. Nessa a dificuldade é média, por causa das subidas, pedras escorregadias e fendas entre as rochas durante todo o caminho.

Todas as trilhas do parque são bem sinalizadas. Mesmo assim perdemos a trilha no meio do caminho, mas resolvemos seguir subindo mesmo assim. A formação das pedras faz com que o morro tenha um formato similar a uma escadaria, então é sempre fácil de seguir adiante. A melhor surpresa foi ter encontrado um grupo enorme de cabras e bodes selvagens lá no topo, bem no nosso caminho, talvez umas cem.

Todas viraram a cabeça para nos olhar. Como tinham chifres, pareciam fortes e não demonstraram medo, eu demonstrei e desviei o caminho.

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Animais selvagens no Parque Nacional

Na volta, sob chuva, ainda nas estradas ao redor do parque, visitamos o Poulnabrone Dolmen, uma tumba do período neolítico com cerca de 5000 anos de idade. O portal de pedras já não é original. Um dos pilares quebrou e a construção desmoronou, sendo reconstruída mais tarde. Nessa época arqueólogos escavaram o local e encontraram os restos mortais de cerca de 30 pessoas. Descemos para ver de perto, mas a chuva e o vento gelado atrapalharam um pouco a visita.

Poulnabrone Dolmen

Poulnabrone Dolmen

Passamos a noite na cidade de Ennis. Dessa vez em um hotel excelente o Ardilaun, com internet funcionando e vista para o rio nos fundos da propriedade.

Vista do quarto em Ennis

Vista do quarto em Ennis

No último dia mais uma vez a previsão era de chuva e desistimos de vez das ilhas. Pegamos o caminho de volta ao redor do Lago Dergh, na rota conhecida como “Lough Dergh Drive” e levamos o dia todo para chegar em Dublin, parando em pequenas cidades pelo caminho: Portumna, Athlone, Kilbegan, Mullingar e Maynooth.


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