Perpignan e o Reino de Majorca


O dia amanheceu bonito e convidativo para um passeio, que acabou nos levando até o Palácio dos Reis de Majorca. Melhor forma de chegar lá: a pé.

A imponente construção do século XIII é bem conservada e uma vista auto guiada (€4) dá acesso à maioria dos aposentos e pátio interno.

Acesso aos jardins do Palais des Rois de Majorque

Acesso aos jardins do Palais des Rois de Majorque

A visita paga vale pela aula de história que se tem lá dentro, mas falta um pouco de contexto. Os ambientes são vazios e frios, e pecam pela falta de decoração e mobiliários de época.

Capela do palácio

Capela do palácio

Uma simples caminhada pelas áreas de livre acesso ao redor do castelo, que fica no alto de uma colina. Vale a pena pela bela vista da cidade e das montanhas que se tem lá de cima.

Cadeira de montanhas vista do castelo

Cadeira de montanhas vista do castelo

Descobrimos muito sobre Perpignan nesta visita. Trata-se de uma cidade medieval, que fez parte do Reino de Majorca e da região da Catalunha e foi capital da região de Roussillon. Perpignan existe desde os tempos romanos, na época era chamada de Ruscino e vem daí o nome da região: Roussillon.

Foi uma das grandes cidades da “Via Domitia”, uma estrada antiga que ligava Península Ibérica à Roma.

Interior do palácio

Interior do palácio

Um dos fatos mais interessantes sobre essa região é como ela foi disputada e teve seu domínio alternado entre nobres da França e da Espanha ao longo de séculos. Hoje pertencente à França, a região de Roussilon também é conhecida como a Catalunha do Norte, e essa é a única região do país em que o catalão é considerado uma língua oficial junto ao francês.

Hoje veem-se as cores vermelha e amarela da bandeira da Catalunha espalhadas por toda a cidade, e as duas línguas lado a lado em nomes de ruas e prédios públicos, formando uma cultura local própria e única no país.

A história de Majorca:

Durante o primeiro milênio Perpignan foi a capital dos Condes de Rousillon. A era de ouro de Perpignan foi entre 1276 e 1349, quando a cidade foi a capital continental do Reino de Majorca (que também incluía as Ilhas Baleares: Majorca, Minorca, Ibiza e Formentera).

Pelo que entendemos, Perpignan foi fundada no começo do século X e logo se tornou a capital da região de Roussillon. Em 1172 Perpignan foi dada pelo conde francês Girard II aos condes de Barcelona e em 1258 o rei francês Louis IX abriu mão dos direitos feudais franceses sobre a região de Roussillon no Tratado de Corbeilos.

Em 1262 Jacques I, rei de Aragão legou ao seu filho mais velho, Pierre, os reinos de Aragão, Valência e a Catalunha, e ao seu filho mais novo, Jacques II, o Reino de Majorca. Pierra contestou a decisão e, por um breve período, conseguiu confiscar o Reino de Majorca.

Quando finalmente Jacques II assumiu o reino de Majorca em 1276, ele ordenou a construção do palácio sob a colina. A construção levou 35 anos e durante o seu reinado (1276-1311) e o reinado de Sanche (1311-1324) Perpignan se tornou a capital do novo estado e prosperou como um centro de fabricação de tecido, trabalhos em couro, produção de jóias e outros ofícios de luxo. Majorca passou então pelo rei regente Philippe (1324-1329) e por Jacques III (1329-1349) que morreu no campo de batalha de Lluchmajor durante uma disputa com Pierre IV de Aragão. Com isso o domínio Catalão foi reintegrado a Aragão.

Ela foi novamente ocupada pelos franceses durante o reinado de Louis XI da França em 1462, quando ele suportou o rei John II de Aragão contra as forças hostis Catalãs. Durante 30 anos acontecem rebeliões em Perpignan sendo que as maiores foram em 1463, 1473 e 1474. Em 1493 o rei francês Charles VIII, a fim de libertar-se para invadir a Itália, restituiu novamente a região ao rei Ferdinand II de Aragão. Novamente cercada e capturada pelos franceses em 1642, Perpignan foi formalmente cedida pela Espanha 17 anos depois no Tratado dos Pirineus, e desde então permaneceu francesa.

Reino de Majorca

Reino de Majorca

Após esta incrível aula de história que tivemos por meio de um folheto em uma visita auto guiada dentro do Palácio, partimos em direção ao “Parc Sant-Vicens”.

No caminho par o parque Sant-Vicens

No caminho para o parque Sant-Vicens

O parque é lindo, limpo e muito agradável, com um lago cheio de aves e muitos espaços para pic-nic. Assim nos sentamos e almoçamos os nossos sanduíches, como de costume, trazidos de casa. Como o dia estava ótimo, nós fomos e voltamos a pé, caminhando mais ou menos 10km pela cidade.

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