Viagem: Liverpool e o vulcão impronunciável


Essa semana vi notícias sobre um vulcão em atividade na Islândia. Já começam a se preocupar com o caminho que as cinzas podem tomar. Se vierem em direção à Europa pode haver caos aéreo, como ocorreu em maio de 2010 em nossa viagem a Liverpool e o vulcão impronunciável.

15/05/2010.

Destino: Liverpool

Era uma viagem curta e barata de final de semana. Compramos as passagens de avião pela Ryanair, na promoção, como de costume.

Essa companhia aérea irlandesa oferece voos baratos por toda a Europa, e ainda um pouco de África e Ásia. Conseguimos voos tão baratos quanto €1 (Madrid-Porto e vice-versa), mas na média ficava entre €5 e €15 por trecho.

Sempre compramos passagem quando a oferta era “Free online check-in”, ou seja, sem taxa de embarque. Uma taxa de embarque de €5 acabava sendo caríssima nesses casos. Outra despesa extra seria a “taxa do cartão de crédito”, ou seja, mais €5 para pagar com cartão de crédito. A única opção para não pagar taxa era usar o Visa Electron, que aqui ninguém tinha na época.

Para poupar um pouco mais, conseguimos fazer um Visa Electron virtual, que funcionou bem. Garantimos passagens baratas sem taxas adicionais.

Liverpool conseguimos por €7 cada trecho, na ida, saindo sábado às 7:15 e chegando às 7:45 da manhã, com volta no domingo às 10:30 da noite, por €10. O hostel foi o The Nightingale Lodge, que custou €45 (quarto de casal).  Nosso padrão de viagem sempre foi mais ou menos esse.

Liverpool é sinônimo de Beatles e o Aeroporto John Lennon já nos lembra disso na chegada.

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Aeroporto John Lennon

Pegamos o ônibus do aeroporto até o hotel e já saímos caminhando. A cidade é pequena e dá para andar a pé por tudo, mas isso é muito relativo, porque quase sempre nós estamos dispostos a caminhar e ver as ruas da cidade.

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Liverpool – bairro residencial

Em todas as caminhadas, mais Beatles. Gosto da banda, mas não sou um super fã. Então só sei que algum deles estudou nessa escola e alguns frequentavam a igreja mais abaixo.

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E assim foi o fim de semana, Beatles em todo o lugar por onde se passa, cerveja local, vista da cidade (no final um monte de fotos).

Domingo no fim da tarde já começamos a pensar na volta. O voo de volta sai de outro aeroporto, o Leeds/Bradford, que fica a uma hora e meia de distância de Liverpool. Muitas vezes viajamos dessa forma, pois mesmo considerando o preço do ônibus, o custo da viagem ainda é muito baixo.

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Centro de Leeds

Vamos um pouco mais cedo, para tentar dar uma volta em Leeds. Nada de muito interessante, pelo menos ali ao redor do centro. Mais um ônibus local de uns 15 minutos e chegamos no aeroporto, para encontrar o local meio deserto e silencioso.

Muito estranho, mas logo percebemos nosso erro: Deve estar fechado por causa do vulcão!

Vamos até o balcão e confirmamos nossa suspeita. As cinzas criadas pelas erupções do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, estavam fechando aeroportos pela Europa desde o mês anterior. Sabíamos disso, mas resolvemos viajar de qualquer forma, pois na última semana tudo estava normal. Nem sequer lembramos de olhar as notícias durante o fim de semana.

Mas e agora, o que fazer às oito da noite de domingo, em Leeds?

Uma opção seria esperar, mas essa era um pouco arriscada. Outra seria aproveitar para estender o fim de semana e ficar mais um dia passeando, mas também muito arriscada, pois não há como prever se as erupções irão parar, ou se as cinzas se dispersarão. Ficar mais dias, além de hospedagem, significa menos dias de trabalho na semana e, logo, menos salário. A melhor opção, sem dúvida, é voltar logo de ferry.

Legal, há um ferry que faz o trajeto Liverpool-Dublin, e nós estávamos em Liverpool mas viemos para um aeroporto fechado a 100km de distância e não dava mais tempo de voltar.

Vamos para o computador do aeroporto e achamos um outro ferry que sai de Holyhead, no País de Gales, às 10h da manhã de segunda. Fica um pouco longe, mas é a única opção no momento. Dá pra chegar lá de trem, mas é caro. Tentamos uma locadora de veículos, mas chegando no balcão o atendente já avisa que não há carros. Normal, considerando que todo mundo perdeu seu voo.

Maps

Trajeto Leeds-Holyhead

Então estava decidido, e pegamos o ônibus de volta para a cidade, direto para a estação de trem. Conseguimos comprar nossa passagem Leeds-Holyhead no guichê. Saída às duas da manhã, pegando três trens durante toda a noite, para chegar em Holyhead pouco depois das oito. (Pesquisei no site da National Rail e esse trem continua lá).

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Itinerário – National Rail

Aguardando na estação, conseguimos comprar adiantada a passagem de Ferry para Dublin. Tivemos de entrar no McDonald’s, a única internet disponível, para acessar o site de passagens com o Ipod Touch que hoje está no fundo de alguma gaveta lá em casa. Comprei um hambúrguer para pedir a senha da internet no balcão.  Melhor não arriscar e reservar logo, pois com o caos aéreo, muita gente deve estar indo na mesma direção.

Tudo resolvido, não havia muito o que fazer, passava de meia-noite e ainda faltavam duas horas para o trem partir. As cidades pequenas ficam totalmente desertas a noite. Os pubs fecham cedo, por lei.

A espera foi longa. Fazia frio e não havia quase ninguém na estação, com excessão de alguns vagabundos caminhando ao redor. Parecia que procuravam por algo. Às vezes também passava um policial em frente ao nosso banco.

Nas duas estações seguintes, Manchester e Crewe, a cena se repete. Escolhemos um banco e, em vez de dormir, ficamos atentos. Era maio, mas tivemos que tirar os sacos de dormir da mochila para usar como cobertor. Consegui dormir um pouco nos trens.

Os trens são pontuais e lá pelas 9 da manhã estamos no porto aguardando o barco. A viagem leva cerca de duas horas e é bem confortável. O interior do ferry mais parece um restaurante.

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Interior do Ferry

O porto de chegada é em Dun Laoghaire, lá pelo meio dia. Ônibus pra casa e, talvez, trabalho no bar à noite. Mais Liverpool abaixo.

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Liverpool Airport

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Eleanor Rigby, a da música

“Ah look at all the lonely people

Ah look at all the lonely people

Eleanor Rigby, picks up the rice

In the church where a wedding has been

Lives in a dream”

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E pra quem não gosta muito de cemitério, lá está ela de novo no centro da cidade

Rua Penny Lane - a da música

Rua Penny Lane – a da música

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Casa onde viveu John Lennon, com sua tia

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Strawberry Fields, o da música (Fechado, não sei o que há dentro)

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Catedral de Liverpool, de dimensões monumentais

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Assim como Londres e Nova Iorque, Liverpool também tem sua Chinatown

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Yellow Duck Marine (Trocadilho com a música)

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Brinquedo legal – eu nunca tinha visto

Fachada do museu dos Beatles

Fachada do museu dos Beatles

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Réplica do Cavern Club dentro do museu

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Centro da cidade

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Cavern Club, onde os Beatles tocavam

Cavern Club original

Cavern Club original

Cerveja no Cavern Club original

Cerveja no Cavern Club original

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The Grapes, onde eles bebiam

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Cains – Cervejaria artesanal

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Liverpool, vista do outro lado do rio. Chegamos lá de trem, por baixo do canal

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Black Sheep na cozinha do albergue, à noite

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Uma das estações de trem por onde passamos

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Vista do ferry saindo de Holyhead

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Vista do ferry chegando em Dublin

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